domingo, 3 de abril de 2016

A cara do Zika Vírus


Esta é a imagem, publicada esta semana, via revista Science, do tão falado vírus Zika. Os estudos têm avançado e a descoberta de como o vírus se apresenta pode ajudar cientistas no desenvolvimento de tratamentos e vacinas antivirais efetivos.

"A primeira coisa que os cientistas perceberam é como ele é parecido com outros flavivírus – vírus que são transmitidos via mosquitos infectados, como dengue, febre amarela e vírus do Nilo Ocidental. O zika, como outros flavivírus, conta com o genoma RNA envolvido por uma membrana gordurosa dentro de um corpo de proteína icosaedral. Essa é uma excelente notícia porque significa que os esforços em andamento para criar vacinas contra a dengue podem ser aplicados também no zika."


Science
GizmodoBR

quinta-feira, 30 de abril de 2015

ENDOMETRIOSE E SEUS IMPACTOS NA VIDA DA PACIENTE: UM RELATO DE CASO.

Por motivos de "internato"o blog andou um tempo parado. 

ENDOMETRIOSE E SEUS IMPACTOS NA VIDA DA PACIENTE: UM RELATO DE CASO.
ENDOMETRIOSIS AND ITS IMPACTS ON PATIENT’S LIFESTYLE: A CASE REPORT 

Breno William Mariz Guedes
1) Acadêmico do quinto ano do curso de Medicina. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. 


INTRODUÇÃO

A endometriose é uma doença crônica, subdiagnosticada, pouco pesquisada e pouco reportada na literatura1,3,4,7,8,10, sendo frequentemente chamada de “a doença esquecida”2,3,8. Define-se como a presença ectópica de tecido endometrial funcional e é encontrada em mulheres de todos os grupos sociais e étnicos.3,10 A prevalência encontrada na literatura é de 10% na população geral, mas chega a 90% nas mulheres que cursam com dor pélvica e infertilidade.1,3 Em sua grande maioria são de causa idiopática. O tempo médio entre as primeiras dores abdominais e o diagnóstico é de aproximadamente 8 anos no Reino Unido e 12 anos nos Estados Unidos.3
Não há cura para a endometriose e pode ocorrer recidiva após tratamento.4 A qualidade de vida de muitas pacientes é afetada devido a subfertilidade, depressão e recorrência da doença, bem como incerteza acerca de futuras cirurgias ou terapias medicamentosas crônicas.3,8,9 Nnoaham et al. também relata uma queda na produtividade profissional.5 Pacientes entrevistadas referiram que a endometriose pode tornar-se um pesadelo: falta de informações, mitos, tabus, subdiagnóstico e tratamentos ineficazes, aliados a uma dor crônica.3 O impacto na vida das pacientes com endometriose, portanto, envolve diversos aspectos: fertilidade, sexualidade, habilidades profissionais e relações interpessoais.3,8

RELATO DE CASO

FLF, 22 anos, vendedora, natural de de Buenos Aires, Argentina, sem filhos, deu entrada no serviço de Emergência do Instituto Cândida Vargas (ICV), em João Pessoa, no dia 25/04/15 referindo dor em baixo ventre e sangramento vaginal de grande intensidade com duração de quatro horas.
A paciente referiu já possuir o diagnóstico de endometriose: já havia passado por uma laparoscopia e uma videolaparoscopia, tendo seu diagnóstico confirmado. Demonstrava-se bastante chateada com a situação, pois nenhum médico conseguia resolver seu problema.Ao exame físico, estado geral regular, afebril, eupneica, FC: 98 bpm, corada. Dor intensa à palpação abdominal.
Foi encaminhada ao serviço de ginecologia do ICV para acompanhamento e tratamento ambulatorial. O caso não pode ser acompanhado até seu desfecho por uma questão institucional: o autor encontrava-se no rodízio de obstetrícia. Entretanto, por se tratar de uma afecção ginecológica interessante, pouco frequente e de grande importância médica e social para as pacientes, este caso servirá de base para uma breve revisão da literatura acerca da endometriose e suas implicações médicas e sociais.
DISCUSSÃO
Endometriose diz respeito a uma doença crónica definida pelo como o crescimento de tecido endometrial funcional em locais fora da cavidade uterina.1,3,4,7,8,10 Segundo Moradi em seu estudo, a doença acomete mulheres com faixa etária entre 17 e 53 anos. As mulheres entrevistadas afirmaram que seus primeiros sintomas relacionados a endometriose apareceram por volta dos 17 anos. O diagnóstico foi feito em média aos 25 (média de 8 anos de demora). Quase metade das participantes referiram que a endometriose interfere “bastante” em suas vidas.
Nos estudos encontrados na literatura, os sintomas mais comumente apresentados foram: dor, dispareunia, dismenorreia, menorragia e infertilidade.3,7,8,10 Todas as pacientes do estudo de Moradi afirmaram ter sofrido dores progressivas, mesmo fora do período menstrual, no abdome, na região lombar e nas pernas, que afetaram significativamente suas vidas. Outros sintomas relatados foram fadiga, incontinência urinária, diarreia e distúrbios do sono.
Laparoscopia e videolaparoscopia são consideradas como as melhores formas diagnósticas para endometriose. A sensibilidade é de 97%, mas a especificidade chega a 77%, além de ser um exame invasivo. Os principais locais são locais pélvicos, mas o acometimento extra-pélvico não é raro.10 Em ordem decrescente os locais mais acometidos são: ovários, fundo de saco posterior, ligamento largo, lig. uterossacro., colo retossigmoide, bexiga e ureter distal.5 Também existem diversos outros sítios já relatados, entretanto menos comuns, como o apêndice e o umbigo,  os quais geralmente ocorrem após o procedimento laparoscópico, mas que também podem ser primários e cuja fisiopatologia não é clara.10 Ultrassonografia transvaginal e imagem por ressonância magnética também são formas de se estudar a endometriose de uma paciente.6
Quanto ao tratamento, há possibilidades medicamentosas e cirúrgicas.3 A dependência da produção cíclica dos hormônios menstruais é a base do tratamento medicamentoso: anticoncepcionais combinados orais, danazol, agentes progestágenos, análogos do hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH) e outros.6  O tratamento cirúrgico, pode ser dividido em três modalidades: conservador (quando há potencial reprodutivo), semiconservador (elimina-se função reprodutiva, mas mantém-se função ovariana) e radical (histerectomia radical).6 Além disso, terapias complementares ou alternativas também podem ser implementadas, como mudanças no estilo de vida. Algumas mulheres sentem-se frustradas com o constante uso de analgésicos e também se sentem temerosas em tornar-se tolerantes a esses medicamentos, precisando aumentar sua dose.3,7,9

CONCLUSÕES

Endometriose, apesar de rara, deve ser sempre considerada em mulheres em idade reprodutiva cursando com dor cíclica. Seu diagnóstico é difícil e, muitas vezes, demorado. O médico generalista deve estar ciente de que a endometriose pode ser multifocal, requerendo uma investigação profunda em todos os casos.

REFERÊNCIAS

1.Gao X. et al. Health-related quality of life burden of women with endometriosis: a literature review. Curr Med Res Opin. 2006;22(9):1787–1797. doi: 10.1185/030079906X121084. 

2.Overton C., Park C.. Endometriosis: more on the missed disease. BMJ. 2010;341:c3727. doi: 10.1136/bmj.c3727.

3.Moradi, M. et al. Impact of endometriosis on women’s lives: a qualitative study. BMC Womens Health. 2014; 14: 123.Published online 2014 Oct 4.

4.Denny E., Mann C.H. A clinical overview of endometriosis: a misunderstood disease. Br J Nurs. 2007;16(18):1112–1116. doi: 10.12968/bjon.2007.16.18.27503.

5. Nnoaham K.E., et al. Impact of endometriosis on quality of life and work productivity: a multicenter study across ten countries. Fertil Steril. 2011;96(2):366–373.

6.Kennedy S. et al. ESHRE guideline for the diagnosis and treatment of endometriosis. Hum Reprod. Oct 2005;20(10):2698-704.

7.Denny E. Women’s experience of endometriosis. J Adv Nurs. 2004;46(6):641–648. doi: 10.1111/j.1365-2648.2004.03055.x.

8.Turnbull H., Mukhopadhyay S, Morris E. The effect of endometriosis on quality of life in patients with a diagnosis in their younger reproductive years. [Abstract] Int J Gynecol Obstet. 2009;107:S631. doi: 10.1016/S0020-7292(09)62259-1.

9.Jones G., Jenkinson C., Kennedy S. The impact of endometriosis upon quality of life: a qualitative analysis. J Psychosom Obstet Gynaecol. 2004;25(2):123–133. doi: 10.1080/01674820400002279.

10. Paramythiotis D. ET AL. Concurrent appendiceal and umbilical endometriosis: a case report and review of the literature.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

I CONGRESSO PARAIBANO DE NEUROINTENSIVISMO

Prezado Colega,

A diretoria do I Congresso Paraibano de Neurointensivismo, projeto idealizado pela Liga Paraibana de Neurointensivismo (LIPANI) juntamente com o Centro de Estudos em Neuroemergência da Paraíba (CENEPB), anuncia, com muita satisfação, que o grande encontro cientifico relacionado com neurointensivismo será realizado no Conselho Regional de Medicina de João Pessoa, Paraíba, no período de 16 a 18 de Abril de 2015.
O principal objetivo é promover a integração dos pesquisadores das áreas relacionadas com neurointensivismo, neurocirurgia e neurologia e assim trocar ideias, conhecimento e experiências.
Estamos organizando o I Congresso Paraibano de Neurointensivismo com muita dedicação para que você se sinta em casa durante esses três dias.
O evento ocorrerá juntamente com o Simpósio de Neurointensivismo da Paraíba, dentro do qual haverá minicursos em diversos temas como Neurorradiologia, Monitoração Multimodal, Neuroanatomia Microcirúrgica e Escalas em Neurotrauma, com o apoio do presidente do congresso, Dr. Gustavo Patriota, contemplando uma exímia grade científica que visa aprofundar o entendimento teórico e prático dos participantes. Além disso, contaremos com a presença de renomados convidados nacionais, que são referências em suas especialidades e que muito contribuirão para o êxito do evento. 
Contamos com o seu apoio e presença para que o encontro seja ainda mais completo.

Um grande abraço e até lá!
Texto original Blog LIPANI



Confira a seguir a mensagem do Presidente do Congresso, Dr. Gustavo Cartaxo Patriota:

Mensagem do Presidente

     É com imensa alegria e satisfação que realizaremos o I CONGRESSO PARAIBANO DE NEUROINTENSIVISMO, na cidade de João Pessoa, Paraíba. Esse evento representa o amadurecimento da subespecialidade no estado e contará com a participação de uma equipe multiprofissional.

     Exercer o neurointensivismo no Brasil é uma tarefa para poucos já que demanda conhecimento técnico específico e a utilização de tecnologia de última geração. Apesar da divulgação da especialidade através das pós graduações existentes no país, este evento se faz necessário, pois tem a finalidade de unir equipes multiprofissionais com um único objetivo: o êxito do paciente.

      A divulgação de protocolos assistenciais, discussão de temas polêmicos, apresentação de trabalhos científicos fará com que o congressista absorva o que há de mais importante nesta especialidade: “NEUROMONITORAÇÃO MULTIMODAL E PREVENÇÃO DE LESÃO SECUNDÁRIA”.


SEJAM BEM VINDOS A JOÃO PESSOA E TENHAM UM EXCELENTE CONGRESSO!!!


Atenciosamente,

Dr. Gustavo Patriota


NEUROCIRURGIÃO/ NEUROINTENSIVISTA
MEMBRO TITULAR DA SOCIEDADE E ACADEMIA BRASILEIRA DE NEUROCIRURGIA

COORDENADOR DO DEPARTAMENTO DE NEUROINTENSIVISMO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEUROCIRURGIA
COORDENADOR NEUROCIRURGIA DO HOSPITAL DE EMERGÊNCIA E TRAUMA SENADOR HUMBERTO LUCENA


Acesse e confira mais informações:

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

[IMAGEM DA SEMANA] Bob Esponja no esôfago.

Criança de 01 ano engoliu pingente com o formato do personagem infantil Bob Esponja.
"Médicos da Arábia Saudita se surpreenderam ao examinar um raio-X de um garoto de 1 ano e 4 meses que aparentemente tinha se engasgado com um objeto. Um Bob Esponja pôde ser visto com riqueza de detalhes no esôfago do paciente. O objeto foi retirado pelos médicos sem complicações e o garoto passa bem."
 Redação do G1, São Paulo.

Via G1

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Transtorno do Estresse Pós-Traumático


Imagine-se como um soldado que retorna da Guerra do Iraque e, mesmo após anos, você continua tendo pesadelos sobre o que aconteceu, não consegue parar de pensar nas dezenas de pessoas que matou e de amigos que perdeu. Vez ou outra encontra com aquela viúva do seu melhor amigo, morto na Guerra. Qualquer barulho parece uma bomba, qualquer estalo parece um tiro. Como você se sentiria?

Essa é a história do veterano de guerra Perry Hopman, que participou daquela guerra de 2006 a 2008 como Sargento de operações aéreas. Mesmo atualmente, em 2015, ele não consegue esquecer o que passou diante de seus olhos naqueles anos. Perry Hofman é mais um de tantos soldados americanos que sobreviveram, mas que desenvolveram um transtorno chamado de Transtorno do Estresse Pós-Traumático.

O transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) é uma psicopatologia que, como o nome sugere, pode acontecer após qualquer evento - seja ele vivido ou testemunhado - considerado traumático para um indivíduo, seja um assalto, um acidente, ou uma guerra, como no caso de Hopman.

APRESENTAÇÃO
Os sintomas podem apresentar-se com flashbacks, pesadelos, ansiedade e pensamentos incontroláveis sobre o ocorrido. Algumas pessoas com TEPT tentam evitar atividades, pessoas ou voltar a lugares que possam lembrá-las dos ocorridos. Alguns têm pensamentos suicidas.
É importante, entretanto, saber diferenciar da ansiedade normal após esse tipo de fato. Eventos potencialmente traumáticos acontecem todos os dias e pessoas normais podem apresentar esses sintomas por alguns dias, mas depois conseguem controlá-los e atingir um certo grau de conforto e tranquilidade.
Todavia, se os sintomas duram por meses ou completam anos, interferindo na qualidade de vida do indivíduo, provavelmente, em um caso assim, é um caso de TEPT. Estudos apresentados pela Clínica Mayo apontam que traumas de infância e a concomitância de outros transtornos mentais potencializam seu desenvolvimento. O diagnóstico é puramente clínico.
Infelizmente, muitos pacientes passam a fazer abuso de drogas lícitas e ilícitas como forma de tentar reduzir a intensidade dos sintomas. Depressão, ansiedade e transtornos alimentares também são complicações comuns.

TRATAMENTO
A pessoa deve procurar o Psiquiatra e uma equipe de saúde mental quando a duração dos sintomas durem por meses e de forma severa, afetando sua vida. O tratamento visa justamente a volta do controle emocional e melhora da qualidade de vida.
Inicialmente, o paciente é submetido a psicoterapia, mas alguns casos precisam iniciar a terapia medicamentosa em combinação. A terapia combinada apresenta bons resultados sobre os sintomas e sobre as complicações. 
A psicoterapia envolve a terapia cognitiva, que é uma forma de tranquilização da mente, e a terapia de exposição, que ensina, de forma segura, a enfrentar o trauma. A terapia pode ser individual ou em grupo. As medicações mais utilizadas são os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (paroxetina e sertralina), que ajudam na autoestima e na remissão dos sintomas e complicações. Nos casos com insônia e pesadelos recorrentes, a prazosina também pode ser usada.

PREVENÇÃO
Máscara pintada pelo veterano de guerra sgt. Perry Hopman
É possível prevenir o TEPT, mesmo após um trauma. Medo, ansiedade, raiva, depressão e culpa são sentimentos comuns após eventos dessa magnitude. A maioria das pessoas não desenvolve TEPT. A melhor forma de preveni-lo é buscando “conforto” mental, tranquilidade mental. Alguns se tornam a sua comunidade religiosa, apoio familiar e de outras pessoas próximas. Este suporte é imprescindível para evitar o transtorno e suas complicações, como abuso de álcool e outras drogas.
Uma forma de terapia de exposição adjuvante inovadora está sendo desenvolvida pela psicóloga estadunidense Melissa Walker no National Intrepid Center of Excellence (NICoE) e conta com os veteranos de guerra como pacientes. Eles são convidados a pintar máscaras e expor, nelas, o seu medo da morte, a dor física, patriostismo e outros símbolos. A terapia é destaque da capa do mês de fevereiro da revista norte-america National Geographic.


Referências:



quarta-feira, 29 de outubro de 2014

II Simpósio LAOC: Condutas em Urgência e Emergência

Nos próximos dias 21 e 22 acontecerá o melhor evento acadêmico de 2014, o II Simpósio LAOC: Condutas em Urgência e Emergência vem com temas interessantíssimos de diversas abordagens em pronto socorro.

Não fique de fora!

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Seção Neurointensivismo no site da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia

Nesta terça-feira, 21, o neurocirurgião paraibano Dr. Gustavo Cartaxo Patriota divulgou em seu blog NEUROINTENSIVISMO a nova página do departamento de Neurointensivismo no site da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia.

Haverá publicação mensal com os mais atualizados temas dentro desta área. Para os interessados, vale bastante a pena conferir, afinal nunca é demais estar atualizado!

Dr. Patriota é o coordenador desse departamento na SBN, que tem como secretário o Dr. Leonardo Christian Welling – PR.

sábado, 18 de outubro de 2014

[IMAGEM DA SEMANA] Glioblastoma Multiforme

Imagem por Ressonância Magnética evidenciando processo expansivo em lobo temporal esquerdo associado a extenso edema com efeito de massa em parênquima adjacente, em paciente com Glioblastoma Multiforme (GBM). Fonte: acervo pessoal.
O glioblastoma multiforme é o processo expansivo maligno mais agressivo e mais frequente de todos os tumores de células gliais. Manifesta-se como uma massa volumosa, heterogênea, com áreas de necrose central, margens mal definidas e realce por meios de contraste.

Ocasiona acentuada distorção parenquimatosa, associada a efeito de massa e edema perilesional. Raramente há calcificações. Acomete em média pacientes entre 45 e 70 anos, sua progressão é rápida (9 a 12 meses) e seu prognóstico, reservado.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Fenestração Carotídea Associada a Aneurisma: Relato de Caso

Relato de caso originalmente apresentado no VII Congresso Paraibano dos Estudantes de Medicina

Introdução
O polígono de Willis forma uma rede colateral que diminui complicações em eventuais obstruções vasculares. O circuito padrão ocorre em cerca 50% da população, sendo comuns as variações e, quando presentes, há maior número de malformações vasculares, como aneurismas. 

Relato
Relatamos caso raro em paciente de 69 anos, feminino que apresentou quadro clínico de cefaleia e rigidez nucal. A tomografia craniana evidenciou hemorragia subaracnoidea e, após arteriografia, constatou-se aneurisma na emergência da artéria comunicante posterior. Durante clipagem cirúrgica, visualizou-se fenestração da artéria carótida interna à artéria cerebral média direitas. 

Comentários
Tais variações anatômicas são mais frequentes na região posterior, geralmente hipoplasias das artérias vertebral direita e cerebral posterior. Outros sítios frequentes são as artérias cerebrais média e anterior, sendo incomum em artéria carótida interna. A fenestração vascular na circulação anterior do polígono de Willis é achado raro, evidenciado neste caso. Essas variações tem provável relação com a formação destes aneurismas e seu estudo e reconhecimento permite um melhor tratamento microcirúrgico deste tipo de patologia.

DESCRITORES: Variação anatômica. Aneurisma. Neurocirurgia.


REFERÊNCIAS

1. HOLANDA, M.M.A. et al. Variações anatômicas na porção anterior do polígono de Willis. Revista saúde e ciência on line. [...]
2. NAYAK, S. B. Anomalous arteries at the base of the brain – a case report. Neuroanatomy. 2008; 7: 45–46.
3. MAZIGHI, M. P. P. J. et al. Vascular anomalies and the risk of multiple aneurysms development and bleeding. Interventional Neuroradiology 8(1):15-20, 2002.

sábado, 11 de outubro de 2014

[IMAGEM DA SEMANA] Ebola no Brasil: Apesar do primeiro resultado negativo, população de Cascavel está temerosa.

"Especialistas dizem que receio é normal por conta do impacto inicial que a informação de possível contágio provocou."
Foto: Jornal O Globo.

Confira a reportagem: oglobo.globo.com

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

XXX CBN: UTILIZAÇÃO DO ULTRASSOM DE NERVO ÓPTICO PARA RASTREAMENTO DE HIPERTENSÃO INTRACRANIANA E DE FOCO INFECCIOSO PRIMÁRIO EM PACIENTE COM MENINGITE.

Trabalho originalmente apresentado no XXX Congresso Brasileiro de Neurocirurgia (2014 - Curitiba) na forma de pôster eletrônico.
INTRODUÇÃO 
A ultrassonografia transocular para aferição do diâmetro da bainha do nervo óptico (USNO) possui sensibilidade de 90% e especificidade de 85% (área sob curva ROC de 0,94)3 para o rastreamento de Hipertensão Intracraniana (HIC). O ultrassom pode ainda avaliar a presença de sinusite (sensibilidade de 86% e especificidade de 100%), que pode estar associada a quadros de meningite. 

OBJETIVOS
Avaliar a utilização da ultrassonografia de seio maxilar para diagnóstico de foco etiológico; associada ao USNO para rastreamento de HIC em pacientes com meningite. 

MÉTODO
Dois pacientes com diagnóstico clínico de meningite, internados em Unidade de terapia Intensiva foram avaliados quanto a presença de sinusite e de HIC por método ultrassonográfico. 

RESULTADOS
Ambos pacientes apresentaram diagnóstico de sinusite pelo US maxilar (o que foi confirmado pela TC de Crânio); enquanto que apenas um paciente teve aumento da bainha do nervo óptico (0,72 cm), o mesmo que apresentou alterações tomográficas compatíveis com HIC (o outro paciente apresentou nervo óptico de 0,46 cm e não teve alterações tomográficas). 

CONCLUSÃO
A utilização da ultrassonografia na terapia intensiva tem ganhado um papel de grande relevância. Em pacientes com meningite o US pode ser uma ferramenta muito útil, tanto no rastreamento de foco infeccioso primário (sinusite) e de HIC. 

DESCRITORES: Ultrassom, nervo óptico, hipertensão intracraniana.
Trabalho apresentado na forma de banner no XXX CBN, através da LIPANI - Liga Paraibana de Neurointensivismo. Clique na imagem para ampliar.


Caso deseje ler mais sobre o promissor exame de ultrassom da bainha do nervo óptico como preditor de hipertensão intracraniana, recomenda-se que leia algumas das referências utilizadas por nós nesta produção científica:  
1- Dubourg J., Javouhey E., Geeraerts T., Messerer M., Kassa B. Ultrasonography of optic nerve sheath diameter for detection of raised intracranial pressure: a systematic review and meta-analysis. Intensive Care Med (2011) 37: 1059-1068.

2- Venkatakrishna Rajajee, Monique Vanaman. Optic nerve ultrasound for the detection of raised intracranial pressure. Neurocritical Care (2011) 15:506-515.

Além do trabalho apresentado, houve participação na produção de outros colegas, com o tema neurointensivismo, também pela LIPANI, a saber:









quinta-feira, 11 de setembro de 2014

MedNuvem no XXX Congresso Brasileiro de Neurocirurgia



Esta semana, viajaremos a Curitiba para o XXX Congresso Brasileiro de Neurocirurgia. A programação do evento está interessantíssima em todas as suas áreas de abordagem.

Lá, apresentaremos o trabalho realizado aqui em João Pessoa com a inovadora técnica da ultrassonografia da bainha do nervo óptico e as variáveis de nosso estudo, como a predição de hipertensão intracraniana em pacientes com meningite e eclâmpsia.

Compartilharemos aqui também as principais e mais interessantes novidades apresentadas lá. Não perca o contato e até breve.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Critérios atuais para o diagnóstico de morte.

A morte é um dos maiores mistérios da humanidade e determina o fim existencial da unidade biológica. Dr. Genival Veloso de França a define como "a cessação total dos fenômenos vitais, pela parada das funções cerebral, respiratória e circulatória”. Essa definição fora aceita por longo tempo de forma pacífica, até o momento em que surgiram e se popularizaram os processos de transplantação de órgãos e tecidos, fazendo-se rever os critérios para considerar um indivíduo como morto.

Sabe-se, hoje, que não existem apenas dois estágios - vida ou morte -, mas que o corpo passa por etapas, não necessariamente todas em um mesmo momento ou instante e sim de forma gradual, dificultando a determinação precisa da passagem.

  1. morte aparente - suspensão aparente de algumas funções vitais;
  2. morte relativa - abolição duradoura de algumas funções vitais, com possíveis recuperações de algumas delas;
  3. morte intermediária - suspensão sem recuperação;
  4. morte absoluta - suspensão total e definitiva de todas as atividades vitais.

Diante de tal dificuldade, convencionou-se através da Resolução do Conselho Federal de Medicina n.º 1.480/97 sua definição segundo os critérios de morte encefálica, do coma irreversível - ausência de reflexos, falta de estímulos e respostas expressivas, cessação da respiração natural e “silêncio" eletroencefalográfico persistente -, em substituição ao conceito de morte circulatória, tido como a finitude definitiva da atividade cardíaca. 

Portanto, atualmente a avaliação da atividade cerebral é o modo mais confiável para indicativo de morte real, mas a constatação da morte requer avaliação cuidadosa dos sinais vitais negativos ou transformativos dados pelo corpo em um certo espaço de tempo.

Os critérios neurológicos propostos por Genival Veloso de França são:
  1. Ausência total de resposta cerebral com perda de consciência. Nos casos de coma irreversível, presença de um eletroencefalograma (EEG) plano (tendo cada registro a duração mínima de 30 minutos, separados por um intervalo nunca inferior a 24 horas). […]
  2. Abolição dos reflexos cefálicos, com hipotonia muscular e pupilas fixas e indiferentes ao estímulo luminoso.
  3. Ausência de respiração espontânea por 5 minutos após hiperventilação com oxigênio a 100%, seguida de introdução de cateter na traqueia, com fluxo de 6L de O2 por minuto.
  4. Causa do coma conhecida.
  5. Estruturas vitais do encéfalo lesadas irreversivelmente.
(FRANÇA, 2008)

Os exames complementares devem evidenciar a ausência de atividade elétrica ou metabólica cerebral ou ausência de perfusão cerebral.

O conceito de morte e seu diagnóstico devem estar inseridos em uma conjuntura clínica-instrumental, não se devendo considerar cada um dos parâmetros isoladamente, de forma a que não reste dúvida alguma. 



REFERÊNCIA

FRANÇA, Genival Veloso de. Medicina Legal. 8. ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

sábado, 23 de agosto de 2014

Fisiopatologia do Evento Vascular Encefálico Isquêmico


Ilustração - Evento Vascular Cerebral Isquêmico - Fonte 
A isquemos é o evento vascular cerebral mais comum, por isso faz-se importante entender seus eventos fisiopatológicos para uma melhor abordagem ao paciente. São eles: citotoxicidade, despolarização periinfarto, inflamações e apoptose. Entretanto, as abordagens terapêuticas ainda apresentam falhas, mesmo com a grande quantidade de estudos sobre o assunto. Artigo originalmente escrito por Ulrich Dirnagl, Constantino Iadecola, Michael A. Moskowitz, em revisão integrada, procurou, analisou e evidenciou retrospectivamente falhas em trials e buscou sugestões de melhorias no tratamento dessa afecção, baseadas naqueles quatro eventos chave.

As principais causas de falha dos trials estudados tem como principais itens: 1) a demora para o início ideal do tratamento, visto que, nos casos reais em humanos não é possível delimitar precisamente cada etapa do evento. Fato este que dificulta a escolha de drogas e do momento para atuar. 2) A idade do paciente e comorbidades afetam seu metabolismo e grande parte dos estudos clínicos são realizados em jovens hígidos. Devemos lembrar que a maioria dos pacientes acometidos é de idade avançada e possui agravantes como diabetes e cardiopatias. 3) Diferenças morfológicas e funcionais entre cérebros humanos e animais. 

Outro ponto interessante levantado é que os eventos patológicos envolvem toda a extensão da lesão e não somente seu centro. A área de penumbra, com perfusão intermediária que rodeia a porção isquêmica, apresenta diversos fatores importantes no evoluir fisiopatológico desta doença. Com o passar de horas e dias, a penumbra diminui, dando espaço a maior lesão estrutural, resultando em regressão da função neurológica.


É de extrema necessidade e importância para o neurocirurgião, para o médico intensivista e para todo profissional de saúde conhecer a complexa fisiopatologia do evento cerebrovascular isquêmico, bem como manter-se atualizado acerca de suas condutas, da chegada do paciente ao serviço de saúde ao tratamento final, as quais devem ser tomadas o mais rápida e precisamente para evitar aumento de morbimortalidade e melhorar prognósticos.

sábado, 16 de agosto de 2014

Coagulopatia no paciente com TCE

As coagulopatias decorrentes de traumatismo cranioencefálico possuem causa multifatorial. Entre elas, o consumo, as disfunções ou diluição dos fatores de coagulação e plaquetas e o aumento da fibrinólise figuram entre os principais problemas. Os pacientes vitimas de TCE grave podem evoluir em um ciclo vicioso que compreende coagulopatia, hipotermia e acidose, geralmente referido como uma tríade letal. A prevalência dos afetados varia conforme uma série de fatores. A coagulopatia é mais comum em pacientes vitimas de traumas penetrantes, principalmente devido ao maior dano ao tecido cerebral e ao rompimento da barreira hematoencefálica.
Os mecanismos da ativação são pouco conhecidos, apesar da grande quantidade de pesquisas sobre este tema. Entretanto, a coagulopatia parece seguir uma via diferente da convencional que acontece após um trauma de membros ou de tronco, por exemplo, onde o choque hemorrágico, hemodiluição e hipotermia são os principais gatilhos. Geralmente a perda sangüínea não é tão grande a ponto de desencadear o choque e tampouco a ressuscitação volêmica é tamanha a ponto de causar hemodiluição e hipotermia, sinalizando que tais fatores não se relacionam diretamente à discrasia em paciente pós-TCE.
Craniotomia descompressiva em paciente vítima de ferimento penetrante por arma de fogo - foto: BG.
De acordo com dois estudos publicado em 2012 no Journal of Neurotrauma, o tecido cerebral é um forte fator ativador de plaquetas e de moléculas pró-coagulantes (liberação de fator tecidual expressado no parênquima), podendo levar à formação de microtrombos, coagulopatia consumptiva e coagulação intravascular disseminada. 20 a 35% dos pacientes desenvolveram coagulopatia após o trauma e parcela semelhante cursou com sinais ou sintomas 48 horas depois, fato relacionado à  piora do prognóstico.
A conclusão foi de que pacientes que desenvolvem este mal secundário ao trauma de crânio sem lesão extracraniana nos dias conseguintes apresentaram pior prognóstico, corroborando com o fato de que são pacientes que necessitam de contínua monitoração dos parâmetros hemostáticos, além de seguimento com tomografia computadorizada de crânio a evitar a doença em qualquer estágio da evolução do paciente vítima de trauma craniano isolado.


REFERÊNCIAS
Traumatic Brain Injury-Associated Coagulopathy. Jianning Zhang. JOURNAL OF NEUROTRAUMA 29:2597–2605 (November 20, 2012)
Multicenter Evaluation of the Course of Coagulopathy in Patients with Isolated Traumatic Brain Injury: Relation to CT Characteristics and Outcome. Gaby Franschman. JOURNAL OF NEUROTRAUMA 29:128–136 (January 1, 2012)



sexta-feira, 4 de julho de 2014

Fratura lombar: prognóstico


INTRODUÇÃO

O jogador Neymar Júnior teve de se despedir da Copa do Mundo FIFA Brasil 2014™ de forma inesperada: após joelhada do adversário colombiano durante partida das quartas de finais da competição, o camisa 10 do Brasil fraturou o processo transverso da terceira vértebra lombar (L3).

ANATOMIA

A coluna vertebral é composta de quatro porções: cervical, torácica, lombar e sacral. Quanto à lombar, sabe-se que possui cinco vértebras e é a principal responsável pela sustentação do peso do corpo.

Uma vértebra lombar possui:
  • Corpo: a maior parte, central, sustenta maior parte do peso;
  • Lâminas (duas): protegem a medula no canal vertebral;
  • Pedículos: ligam o processo transverso ao corpo vertebral;
  • Processo espinhoso: parte medial e posterior;
  • Processo transverso: prolongamento (bi)lateral projetado ao ponto de união do pedículo à lâmina, fazem parte da movimentação da coluna;
  • Processos articulares: são quatro. Responsáveis pela articulação das vértebras.
Foto: link
PROGNÓSTICO

As fraturas de coluna lombar são pouco frequentes e, quando acontecem, ocorrem devido a trauma direto, como ocorreu com Neymar, ou devido a avulsão, uma força exagerada na contração muscular da coluna. Atualmente, o melhor exame diagnóstico é a tomografia computadorizada, que detecta as fraturas pós trauma lombar e permite ao profissional medico avaliar se o tratamento é cirúrgico ou conservador ou se o prognóstico é bom ou ruim.

Dói, mas não há tanto com que se preocupar: na maioria dos casos, o tratamento é conservador porque as lesões são estáveis, não apresentando maiores problemas às vitimas, porém, já que é necessária grande força cinética para causar esta, geralmente há outras lesões importantes associadas.

Como o processo transverso é importante na movimentação do indivíduo, um atleta fica incapacitado de atuar profissionalmente em caso de fratura desta estrutura: Neymar terá de ficar de quatro a seis semanas com uma cinta lombar redutora dos movimentos da coluna para controle da dor e dos movimentos.


REFERÊNCIAS

PEREIRA, C.U. SILVA JR. E. B. Fratura do processo transverso da vértebra lombar: valor prognóstico. Arq Bras Neurocir 31(3): 160-2. 2012. 

SOBOTTA, Johannes. Atlas de Anatomia Humana. 21ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.


http://www.auladeanatomia.com/osteologia/caracteristicasgerais.htm

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2014/07/medico-da-selecao-explica-que-fratura-de-neymar-nao-necessita-de-cirurgia.html